De Majnu Ka Tilla a McLeod Ganj

By Julia Hue

Logo que fiz o check-out no Yak Hotel em Majnuka Tilla, Delhi, cruzei com um alemão que procurava um lugar para se hospedar. Nosso santo bateu logo de cara. Levei-o até a guest house Wongdhen House para ele tentar arrumar um quarto lá, que com certeza seria melhor que o lugar onde eu fiquei…

Passamos a tarde toda no restaurante do Wongdhen House, onde Stephan me contou sobre suas andanças pela Índia. É a quarta vez dele no país, e esses são seus últimos dias antes de retornar à Alemanha. Ele estava vindo diretamente de Ladakh, lugar para onde vou nas próximas semanas, que fica no extremo norte do país, fronteira com o Tibet. Ele me mostrou fotos, me deu dicas bacanas e contou histórias maravilhosas sobre suas viagens. Ótima companhia!

No final da tarde, Stephan ajudou a levar minhas malas até o ponto de ônibus. Nos despedimos e, às 18h30, entrei num ônibus rumo a McLeod Ganj, Dharamsala. Pela janela do ônibus precaríssimo eu pude ver um pouco mais da periferia de Delhi: muita pobreza, miséria, caos por todos os lados e um pouco do rastro das monções.

Eu coloquei um mapinha da Índia aqui embaixo que mostra Himachal Pradesh (pintado mais forte), estado onde fica o distrito de McLeod Ganj – Dharamsala.

Leva 12 horas para chegar a McLeod Ganj. E, detalhe importante, o ônibus não tem banheiro. A viagem foi cansativa, mas não é nada se comparada às calejadas viagens de mais de 30 horas para o nordeste do Brasil… E se pensar bem, o fato de não ter banheiro no ônibus é até uma coisa boa, porque não imagino como eles fariam para mantê-lo limpo… eca…

Mais de 12 horas e alguns xixis nos matinhos depois, cheguei a McLeod Ganj. Pela janelinha do ônibus eu logo vi a Natascha, amiga querida (e parte da família), o Douglas (marido dela) e o Luquinhas (filho deles). Eu estava exausta, mas fiquei muito feliz ao ver rostos conhecidos no meio da muvuca! Eles me receberam com um kata (lenço branco de seda que é dado em sinal de respeito pelos tibetanos – dizem que também é um exemplo de interdependência, porque foi inventado pelos indianos, é feito pelos chineses e usado pelos tibetanos…), uns fofos.

Fomos direto tomar café da manhã num restaurante tibetano gostoso, com direito a panquecas com manteiga e mel. E experimentei pela primeira vez o hot ginger lemon honey (chá de suco de limão com lascas de gengibre e muito mel), que é bem comum aqui. Já viciei.

No caminho para a casa deles, passamos pelo “açougue”: é um barraquinho de madeira de 1×1m, onde o cabrito fica pendurado de ponta-cabeça, já sem pele. Aí o “açougueiro”, sentado de cócoras num palanque a 1m do chão (porque assim fica da altura do bicho), vai cortando com um facão os pedaços do bicho. Detalhe importante: o facão ele segura com os dedos DO PÉ, já que as mãos estão ocupadas segurando o bicho e recolhendo os pedaços da carne.

Cheguei à conclusão de que esse modo de matar um bicho pra comer é, com certeza, bem mais humano do que qualquer indústria de carne (“o que os olhos não vêm o coração não sente”…). Mesmo assim, a partir deste exato momento eu virei vegetariana convicta. Pelo menos aqui na Índia!

Então chegamos a casa deles, super chique: fica na cobertura de um predinho de 3 andares. É um apartamento de uns 12m², com uma mini-cozinha e um banheiro. Tomei um banho de balde e canequinha (não tem chuveiro, mas tem água quente, o que é um luxo!) e dormi a tarde inteira. Querem ver meu estado acabada? Tá aqui:

Estou sendo tratada a pão-de-ló por esses três. Acordei para jantar arroz, feijão e verduras, acreditam? Não é um privilégio?

Estou feliz por ter sido recebida por pessoas tão queridas!

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2 Respostas para “De Majnu Ka Tilla a McLeod Ganj”

  1. claudia Disse:

    vai nega …aproveita !!!! que saudades de todo mundo junto …bagunça e tudo mais …acho que vou acabar indo antes pra ai …hihihi
    beijos a todos!!!

  2. Diana Disse:

    Ai, chuchu!!!
    Que bom!! Sempre bom encontrar alguém mais da família!
    Continua escrevendo…assim eu fico sabendo mais das novidades!
    Bjux saudadososss

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