Os últimos dias foram dias de reconhecimento que, entre um passeio e outro, passam calmos e chuvosos. As monções ainda devem durar mais um mês; a chuva não pára.
Hoje eu fui com a Ná no Templo do Dalai Lama para meditar um pouco enquanto ela fazia as práticas dela. Nós duas estávamos sentadinhas lá no fundo do templo, e nem assim conseguimos escapamos dos turistas indianos inoportunos que tiraram fotos nossas. Na nossa lateral tinham dois monges fazendo práticas.
Enquanto eu meditava, eles davam risada e falavam pra Ná me empurrar para eu cair de lado hahahaha… pode? – isso serve para tirar aquela imagem que temos de que os monges são extremamente sérios e que não pensam em nada que não seja rezar…
A Natascha, que veio a McLeod justamente para aprofundar seu conhecimento no budismo tibetano, tem uma paciência incrível para explicar e ensinar o que ela sabe e contar sobre suas experiências pessoais. Então ficamos um tempão no templo conversando sobre budismo, práticas, meditações, retiros… Adorei.
A noite todos nós fomos na casa dos pais do Kelsang (cunhado da Ná) e jantamos lá. A Amala, mãe do Kelsang, fez chapatis e sopa de legumes com batatas, uma delícia. A família do Kes tem um cuidado todo especial com a Natascha, com o Douglas e com o Luquinhas. Afinal, agora são todos da mesma família!
Tenho comido muitíssimo bem por aqui e, por enquanto, estou completamente fora das estatísticas dos estrangeiros que vêm à Índia e passam muito mal, o que estou achando ótimo.
E a ironia fica por conta do conselho da Manu – que resolvi seguir à risca antes de vir pra Índia: engordar o quanto conseguisse já que, uma vez aqui, era óbvio que eu iria perder muito peso. Sendo assim, nos meus dois meses de Barcelona eu consegui acumular 7 kg excedentes – e quem me conhece sabe o quanto gosto de comer, então não precisei fazer muito esforço… Só que, até agora, o tiro está saindo pela culatra, porque acho que estou é engordando mais hahahaha…
Outro dia fui com a Ná, o Douglas e o Luquinhas jantar num “mexitibetano”, um restaurante ocidental que mescla o cardápio mexicano com o tempero tibetano. E não é que fica bom?
E hoje pela tarde os monges Lobsang e Ishi chegaram aqui na casa da Ná e do Douglas munidos de panelas e ingredientes para fazer momos! Hummmm…
Lobsang é um monge budista tibetano que conheceu a Manu – mãe da Ná e da Titi – quando ela veio para a Índia há alguns anos; agora ele cuida da Ná, do Douglas e do Luquinhas como se fossem sua própria família. E já me adotou também, um fofo!
Mas voltando ao cardápio: momo é uma especialidade tibetana muito parecida com o guiosa dos japoneses. A massa leva só farinha e água; depois de amassá-la bem e deixá-la homogênea, com ajuda de um rolo abre-se um punhadinho de massa por vez, deixando-a bem fininha. Aí coloque o recheio que quiser (o nosso era de queijos e cebola, mas os mais comuns são os de verduras, de batata e o de espinafre com ricota) e fecha a massa no formato de trouxinha, usando a palma da mão como apoio. Depois de pronto, coloque todos os momos lado a lado, numa panela furadinha com outra panela com água embaixo (aquela panela de cozinhar legumes em banho-maria e de esquentar arroz, sabe?) e deixe no fogo até cozinhar a massa.
Gente, é uma delicia. Acho que com farinha normal deve dar certo. Se alguém se habilitar a fazer, por favor, me conte como ficou!
Abaixo, fotos do Ishi e do Lobsang preparando os momos e dos dois com a Ná, o Luquinhas e o Douglas, prontos pra comer!


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